sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Shosholoza

O Vasco da Gama sul-africano fez, nesta sexta-feira, sua estreia na Premier Soccer League (PSL), a primeira divisão do país-sede do Mundial de 2010. Jogando diante de sua torcida no Green Point Stadium, a equipe da Cidade do Cabo perdeu por 2 a 1 para o Orlando Pirates, campeão da temporada 2008/2009.

Os xarás do time de São Januário saíram na frente aos 22 minutos do primeiro tempo, com Sibusiso Zuma, de cabeça. O Pirates, então, passou a pressionar os recém-promovidos, cuja defesa resistiu bem até os 32, quando Lucky Lekgwathi aproveitou a confusão na área para empatar.



Lekgwathi comemora o gol de empate (Backpagesix)

Na volta do intervalo, o Vasco criou boas chances, como um chute perigoso de Zuma. Já o Pirates ameaçava a meta de Jason Barnard com Lesch e Mabena. A equipe de Johanesburgo, no entanto, não desperdiçou a chance de virar o jogo aos 23 minutos, quando Isaac Chansa aproveitou um cruzamento de Tlou Segolela.

Os anfitriões ainda tiveram a chance de empatar aos 40, com Bradley August, que cabeceou por cima do gol de Moeneeb Josephs - reserva da África do Sul na Copa.

AOS VASCOS, TUDO

O clube da Cidade do Cabo foi criado em 1980 por membros da comunidade portuguesa. Um dos fundadores quis prestar uma homenagem seu pai, Vasco, e ao clube carioca - escudo e uniforme são iguais aos do time da Colina.

A vaga na elite sul-africana veio após a vitória de 2 a 1 sobre o Black Leopards, na decisão da Segundona, em março.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

PC com efeito




Os vascaínos reconheceram que a atuação no empate sem gols com o São Paulo foi abaixo do esperado, e uma derrota não seria tão injusta. No entanto, é possível tirar algumas boas conclusões daquela partida. A principal é que, se foi uma apresentação atípica, isto significa que a Lei de Tiririca ("pior que tá, não fica") já foi deixada de lado pelos comandados de Paulo César Gusmão.

A invencibilidade com PC não é fruto do acaso. O treinador deu uma cara ao time. Seu estilo de trabalho combinou com o elenco, que mostra uma aplicação tática admirável. A equipe, que passava sufoco dentro e fora de São Januário, passou a jogar de forma mais compacta, com mais posse de bola e uma defesa ajustada. O novo padrão de jogo, somado à chegada de bons reforços, permitiu atuações decentes e um salto na tabela.

Ainda que Fernando Prass venha trabalhando muito, a defesa é o setor que mais evoluiu. Dedé, que antes só era notícia quando lesionava companheiros no treino, surpreendeu pela segurança. Mais calmo, Nílton trocou as voadoras por desarmes. Vale lembrar que ele chegou a atuar como zagueiro nos tempos de Corinthians. Até Fernando, que está (muito) longe de ser um Beckenbauer, não comete mais tantas faltas bisonhas.

No meio-campo, a grata surpresa foi a efetivação do volante Rômulo, destaque na Copa da Hora. A dupla que forma com um cada vez melhor Rafael Carioca protege bem a defesa, que já não é tão vazada como antes. Com isso, Fágner ganhou mais liberdade para atacar e se tornou um dos destaques da sua posição no Campeonato Brasileiro.



Com sequência de jogos, Fágner se destaca no Vasco

O setor ofensivo foi outro com uma grande evolução. O bom passe de Rafael Carioca, associado ao talento de Felipe, Carlos Alberto e Zé Roberto, permite uma maior posse de bola. Felizmente, a torcida começa a entender essa nova filosofia, e vem diminuindo as vaias às longas trocas de passes (preferiam sufoco?).

Éder Luís, por sua vez, vem se firmando como titular do ataque. O bom entendimento com Carlos Alberto prova que a equipe consegue ir bem sem um centroavante. Já quando um "9" for necessário, PC conta com Nunes, que já conquistou a torcida.

PROBLEMAS

Os bons resultados permitem sonhos altos à torcida, como uma arrancada à la Roma. Porém, alguns problemas podem fazer com que o time acabe morrendo na praia, como os italianos.

A situação financeira é grave e vem fazendo com que o clube se desfaça de nomes que não têm sido aproveitados e recebiam altos salários. A questão é que, ao mesmo tempo em que enxuga sua folha, o Vasco enfraquece o elenco.

Um exemplo prático é a lateral esquerda, na qual Felipe vem sendo improvisado. Esta última palavra mostra bem que o jogador mudou. Para um dos grandes nomes da posição no final dos anos 90, a lateral virou... improvisação.

Entre laterais de ofício, Ramon e Ernani estão machucados. Carlinhos não tem a confiança do técnico e Max, que originalmente atua pela direita, é outro lesionado. Já Márcio Careca, titular no início de 2010, foi embora, assim como o zagueiro Thiago Martinelli, que quebrava um galho na esquerda.



”O ultimo a chegar vai pra Salvador”

O problema reflete na criação, que fica refém de Carlos Alberto. Sem o camisa 19 e com Felipe recuado, a equipe perde a ligação com o ataque, e as performances de Zé Roberto e Éder Luís são prejudicadas.

LIMITE

Com a campanha pífia antes da Copa, o principal temor dos vascaínos era uma nova queda. Como a equipe se encontrou, a torcida passou a sonhar alto. A Libertadores parece ser um sonho distante, mas possível. A campanha em casa é satisfatória, enquanto o desempenho como visitante, que vem sendo bom, precisa ser ainda melhor. PC, no entanto, reconhece que os pontos perdidos no início farão muita falta.

Fotos: Site oficial do Vasco

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

...e passa a régua

Quase tudo já foi falado sobre a Copa. Quase tudo. Vendo as fotos no site da Fifa, reparei em um detalhe interessante no vestiário da França. Nessa imagem, o racha no grupo dos campeões de 1998 ficava evidente.

Na maioria das seleções, os armários respeitavam a ordem numérica das inscrições, do 1 ao 23. Já os comandados de Raymond Domenech se agrupavam conforme as panelinhas.



"Lado A, lado B, lado B, lado A..." (Getty)

Compare com o vestiário da Argentina, a Família Maradona:



(Getty)

Aí sim, fomos surpreendidos novamente!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fecha a conta...



"Nós somos a barra mais louca..." (Getty)

Após viver em função da Copa por um mês e passar por uma rehab do Mundial por algumas semanas, volto a este espaço. Hoje irei fechar o caixão da África do Sul, com dois posts antes do shosholoza.

Começarei pela minha seleção da Copa, que não ficou muito diferente da escolhida pela Fifa. Até o craque foi o mesmo, Diego Forlán.

Goleiro: Maarten Stekelenburg (HOL) – Fiquei na dúvida entre ele e o Iker Casillas. O holandês fez muitas defesas importantes na reta final, e foi fundamental para que sua equipe chegasse à decisão.

Lateral-direito: Sergio Ramos (ESP) – Jogou demais. Foi bem na marcação e ainda melhor no apoio. Cresceu nos jogos finais, e foi especialmente brilhante contra Paraguai e Alemanha. Até as quartas, meu voto era pro Phillip Lahm. Porém, como em 2006, ele foi discreto na semifinal.



"Olá, enfermeira!"

Zagueiros: Arne Friedrich (ALE) e Gerard Piqué (ESP) – Enquanto deu show no ataque, a Alemanha contou com a segurança de Friedrich e seu parceiro Per Mertesacker na defesa. Ambos resistiram enquanto foi possível à inquisição espanhola da semifinal. Já Piqué mostrou qualidade e discrição, além de dar o sangue pela equipe. A imagem de sua boca cheia de algodão foi uma das mais marcantes do Mundial.

Lateral-esquerdo: Não, não acredito no que vou escrever, mas... Jorge Fucile (URU) – A lateral esquerda não foi uma posição com muitos destaques na África do Sul. Destaco apenas o português Fábio Coentrão e Fucile. O jogador do Benfica fez, realmente, uma grande Copa, aparecendo bem na defesa e no ataque. Já o lateral do Porto apagou a péssima impressão que eu tinha dele desde o fatídico duelo contra o Arsenal, pela última Liga dos Campeões.

Volantes: Bastian Schweinsteiger (ALE) e Sami Khedira (ALE) – A Copa teve muitos bons volantes, mas fiquei com a dupla alemã, que se mostrou bastante eficiente. Khedira apareceu para o mundo, enquanto Schweinsteiger confirmou sua condição de “world class”, mostrando a competência de sempre, só que mais recuado. Ditou o ritmo da Alemanha. Menções honrosas para o uruguaio Diego Pérez, o ganês Kevin-Prince Boateng e o espanhol Xabi Alonso.

Meias: Diego Forlán (URU), Thomas Muller (ALE) e Wesley Sneijder (HOL) – Ok, Forlán é atacante de origem, mas seguiu decisivo quando recuado por Oscar Tabárez. Com muita justiça, foi o craque do torneio. Muller, por sua vez, coroou sua ascensão meteórica com uma grande atuação. Talentoso, veloz e bom finalizador, vê-lo em campo foi um presente aos fãs de Copa. Já Sneijder encerrou uma temporada brilhante com um grande Mundial. Não é um jogador que apareça durante os 90 minutos, mas com tantos gols e assistências, confirmou a condição de craque.



Forlán, o craque indiscutível (Getty)

Entre as menções honrosas, o alemão Mesut Özil, o ganês Dedè Ayew e, obviamente, Andrés Iniesta e Xavi Hernandez. Não costumo colocar espanhóis em seleções de melhores porque o grande barato dos campeões mundiais é o jogo coletivo. Pelo desempenho, o time ideal do Mundial teria sete ou oito espanhóis, e aí, o post não teria graça.

Ataque: David Villa (ESP) – Villa, o prolífico. Sem ele, a Espanha morreria na praia novamente. Villa é a bola de segurança dos fantasy games. A pergunta não é “será que ele vai marcar?”, mas, sim, “quando (ou quantos) ele fará?”. Arjen Robben também fez um ótimo Mundial, mas fica no banco.

Técnico: Oscar Tabárez (URU) – Como Tim Vickery já destacava antes da Copa, o treinador uruguaio promoveu o resgate do bom futebol do país. Achou a melhor formação durante o torneio – recuar Forlán para o meio foi fundamental – e montou um time vibrante e competitivo.