Os vascaínos reconheceram que a atuação no empate sem gols com o São Paulo foi abaixo do esperado, e uma derrota não seria tão injusta. No entanto, é possível tirar algumas boas conclusões daquela partida. A principal é que, se foi uma apresentação atípica, isto significa que a Lei de Tiririca ("pior que tá, não fica") já foi deixada de lado pelos comandados de Paulo César Gusmão.
A invencibilidade com PC não é fruto do acaso. O treinador deu uma cara ao time. Seu estilo de trabalho combinou com o elenco, que mostra uma aplicação tática admirável. A equipe, que passava sufoco dentro e fora de São Januário, passou a jogar de forma mais compacta, com mais posse de bola e uma defesa ajustada. O novo padrão de jogo, somado à chegada de bons reforços, permitiu atuações decentes e um salto na tabela.
Ainda que Fernando Prass venha trabalhando muito, a defesa é o setor que mais evoluiu. Dedé, que antes só era notícia quando lesionava companheiros no treino, surpreendeu pela segurança. Mais calmo, Nílton trocou as voadoras por desarmes. Vale lembrar que ele chegou a atuar como zagueiro nos tempos de Corinthians. Até Fernando, que está (muito) longe de ser um Beckenbauer, não comete mais tantas faltas bisonhas.
No meio-campo, a grata surpresa foi a efetivação do volante Rômulo, destaque na Copa da Hora. A dupla que forma com um cada vez melhor Rafael Carioca protege bem a defesa, que já não é tão vazada como antes. Com isso, Fágner ganhou mais liberdade para atacar e se tornou um dos destaques da sua posição no Campeonato Brasileiro.
Com sequência de jogos, Fágner se destaca no Vasco
O setor ofensivo foi outro com uma grande evolução. O bom passe de Rafael Carioca, associado ao talento de Felipe, Carlos Alberto e Zé Roberto, permite uma maior posse de bola. Felizmente, a torcida começa a entender essa nova filosofia, e vem diminuindo as vaias às longas trocas de passes (preferiam sufoco?).
Éder Luís, por sua vez, vem se firmando como titular do ataque. O bom entendimento com Carlos Alberto prova que a equipe consegue ir bem sem um centroavante. Já quando um "9" for necessário, PC conta com Nunes, que já conquistou a torcida.
PROBLEMAS
Os bons resultados permitem sonhos altos à torcida, como uma arrancada
à la Roma. Porém, alguns problemas podem fazer com que o time acabe morrendo na praia, como os italianos.
A situação financeira é grave e vem fazendo com que o clube se desfaça de nomes que não têm sido aproveitados e recebiam altos salários. A questão é que, ao mesmo tempo em que enxuga sua folha, o Vasco enfraquece o elenco.
Um exemplo prático é a lateral esquerda, na qual Felipe vem sendo improvisado. Esta última palavra mostra bem que o jogador mudou. Para um dos grandes nomes da posição no final dos anos 90, a lateral virou... improvisação.
Entre laterais de ofício, Ramon e Ernani estão machucados. Carlinhos não tem a confiança do técnico e Max, que originalmente atua pela direita, é outro lesionado. Já Márcio Careca, titular no início de 2010, foi embora, assim como o zagueiro Thiago Martinelli, que quebrava um galho na esquerda.
”O ultimo a chegar vai pra Salvador”
O problema reflete na criação, que fica refém de Carlos Alberto. Sem o camisa 19 e com Felipe recuado, a equipe perde a ligação com o ataque, e as performances de Zé Roberto e Éder Luís são prejudicadas.
LIMITE
Com a campanha pífia antes da Copa, o principal temor dos vascaínos era uma nova queda. Como a equipe se encontrou, a torcida passou a sonhar alto. A Libertadores parece ser um sonho distante, mas possível. A campanha em casa é satisfatória, enquanto o desempenho como visitante, que vem sendo bom, precisa ser ainda melhor. PC, no entanto, reconhece que os pontos perdidos no início farão muita falta.
Fotos: Site oficial do Vasco